Será que somos sustentáveis?
          Segundo a Agência Brasil: “Cada brasileiro gera, em média, quase 1 quilo de lixo por dia... Em um ano são 343 quilos. Juntando todo o país, são 80 milhões de toneladas de resíduos produzidos a cada ano”. Assustador! E o que estamos fazendo para sermos mais sustentáveis e cuidarmos do nosso planeta?       
          Vivemos a dualidade e a constante escolha entre consumir e proteger o planeta. A força que nos impele ao consumo é infinitamente maior que a convocação ao desperdício. Além disso, consumir nos garante satisfação imediata, conforto, status e sensação de poder, ao passo que, proteger o planeta é menos glamoroso, é uma atitude visando o “futuro”, e “pior” ainda, é destinada “para outros”.
          A ONU em 1987 definiu que: “sustentabilidade é satisfazer necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprirem suas próprias necessidades”. Hoje, temos um consumo muito maior do que a terra é capaz de renovar seus recursos. Anualmente, bilhões de toneladas de recursos são extraídos (minerais, metais, água, árvores, etc) para manter nossas escolhas de consumo. 
          O que podemos fazer? Se por um lado sabemos que o planeta está entrando em colapso, por outro, a cultura nos impulsiona ao consumo mostrando que seremos mais felizes, mais competentes, mais saudáveis, mais capazes, mais e, cada vez mais, alguma coisa que não somos, se comprarmos. Portanto, estamos submersos na era do hiperconsumo em que o planeta grita pedindo: “precisamos ser sustentáveis”. Mas como sustentar a sustentabilidade? Como saber se é uma ação de marketing, lavagem verde ou se é possível construir estratégias sustentáveis que contemplem o mercado, o planeta e as vontades de consumo da humanidade?
          A sustentabilidade está dividida em 4 grandes eixos: econômico, ambiental, social e cultural. Tomo a liberdade de acrescentar o eixo emocional. Se as pessoas não se tornarem menos suscetíveis ao consumismo, ou seja, se não perceberem que comprar não é atingir o “bem supremo” ou conquistar o Santo Graal, elas não irão renunciar à satisfação imediata que a compra possibilita. Estamos diante de um dilema com forças opostas que duelam pela perpetuação de um estilo (consumismo) de vida e, por outro lado, o planeta pedindo socorro.
          Para que mudanças efetivas sejam adotadas é necessário ampliar a consciência, mas, para que haja conscientização, é primordial que as pessoas analisem as motivações das próprias escolhas. Por que ficam indiferentes quando lavam o pátio da própria casa desperdiçando água? Por que o banho que tomam pode ser demorado? Por que os produtos que consomem não são cuidadosamente avaliados? O antropólogo Roberto DaMatta comprova que nos comportamos como pequenos aristocratas, não nos importamos com os espaços (ou bens) público e vivemos em redomas acreditando que temos direitos superiores aos demais. Todos são assim? Não, claro que não. Então, ainda temos esperança de que sustentabilidade não seja uma simples estratégia, mas uma visão de mundo para que possamos nos tornar mais críticos, coletivos e menos dependentes da aquisição de coisas.